HUGO bOSS
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Colocada: Seg Jan 22, 2007 23:41 Assunto: Carocha a Diesel |
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Eis um artigo que encontrei há uns anos e do qual tive a liberdade de traduzir de inglês para a nossa lingua. Espero que gostem.
O Carocha a Diesel
Qualquer aficionado da VW bem informado dirá que a empresa pioneira de pequenos carros com motor a diesel descendem dum paralelo da fábrica em Otto. Mas quantos poderão indicar correctamente a data para esse esforço em Wolfsburg? O Golf a diesel em 1976, muitos dirão. Bem, a verdade é que o Golf surgiu um quarto de século depois.
A Volkswagen na verdade encomendou um motor boxer, para o Carocha, refrigerado a ar, a diesel aos seus fornecedores habituais de projectos da Porsche ainda em 1951. A este projecto foi dado o número 508 e levado a testes por dois veículos. Foi atribuída uma data para a Porsche apresentar este motor, tendo por base um bloco 1300 ou 1500. No entanto, foi apenas em 1981 que o público em geral veio a conhecer este motor tão diferente da VW.
Entre milhões de Carochas, apenas um foi destinado a ter um motor a diesel. A ocasião de construir um motor com uma compressão e ignição correctas foi por ocasião do 50º aniversário da Porsche. O patrão, Helmunt Bott, responsável pelo desenvolvimento da empresa na altura, andava à procura nos arquivos da firma por livros com projectos passados de carros, para celebrar o meio século de actividade, de preferência que não fossem de desenhos para as corridas, mostrando assim outras facetas da Porsche.
Com a febre dos motores a diesel hoje em dia, principalmente os clones dos a gasolina, este projecto em 1951-1953 foi natural. Nesta data, foi chamado Robert Binder, chefe da equipa de desenho de motores na moderna fábrica em Weissach e disponibilizaram-lhe 50.000 marcos para criar o motor a diesel para o Carocha.
Binder não foi uma escolha ao acaso. A sua primeira tarefa ao se juntar à Porsche em 1951 foi a de desenhar o motor a diesel, apesar de não ser um especialista nessa tecnologia. No entanto, Wolfsburg fez um contrato com o qual empresas como a Bosch poderiam ajudar a reduzida equipa de 3 ou 4 engenheiros que trabalhavam nas barracas de madeira da Porsche em Papa Rabe. No entanto, resolver o inesperado era uma rotina diária para estes jovens da Porsche na altura.
Para repetir esta tarefa hoje em dia seriam necessários mais homens e computadores mas seria igualmente uma tarefa difícil. Nenhum relatório de testes sobreviveu e poucos desenhos existem. Binder, no entanto, relatou nas suas memórias as qualidades dos seus homens nas oficinas. Os dois motores construídos na altura há muito que foram para a sucata, mas ao menos a Bosch encontrou no seu museu uma bomba injectora e alguns pistões da Mahle 22:1.
A Porsche encontrou um bloco de três peças junto a um negociante, do qual, dado a sua resistência, foi utilizado para o motor do 356 e do motor a diesel para o Carocha. As juntas teriam de ser modificadas, bem como as cabeças teriam de ser pré-aquecidas. No entanto, o sistema de refrigeração da VW provou ser eficaz mesmo para as temperaturas do diesel.
Binder por esta altura desenhou igualmente um projecto da Gmund. Era um motor de dois tempos, refrigerado a ar, a diesel, um gémeo que mais tarde seria usado no seu tractor. No entanto, foi desenhado de maneira a servir num Carocha, se necessário.
A razão original deste contrato devia-se ao baixo preço do diesel em 1951, bem como da falta da gasolina devido à guerra da Korea. Então, o chefe da VW, Heinz Nordhoff, visitou os Estados Unidos e regressou convencido que os americanos nunca conduziriam automóveis com tão pouca potência. O projecto 508 tornou-se assim, um dos muitos, mas mesmo muitos projectos da Porsche para a VW que foram encerrados e guardados numa gaveta.
Antes disso, no entanto, eles haviam instalado um motor num Carocha e outro numa carrinha VW, a qual o Jovem Bott usou para testes. Este par de motores percorreu cerca de 25.000 kms em uso quotidiano e forneceram grande alegria aos condutores que assim poderiam aceder à bomba de gasóleo e prestar-lhe manutenção, controlando o seu fluxo. Existia no entanto um grande consumo por parte destes motores. Os registos indicam 36 a 40 mpg enquanto que um Carocha a gasolina consumia 29 a 34 mpg.
Como estes motores de testes tinham 1290cc (74,5 x 74 mm), Porsche conseguia extrair 23 cavalos inicialmente e 25 às 3100rpm no final do projeccto com a rotação máxima a 3300 com apenas 45-55 libras de penalização no peso. Esta força era dificilmente considerada arrojada, mas no entanto, na altura, o Carocha tradicional não era muito mais “apimentado”.
Mesmo assim, este motor a diesel era suficientemente lento para levar os engenheiros da Porsche a pensar em que tipo de pessoa seria o indivíduo que roubou o único Carocha desta espécie dum parque de estacionamento na cidade. Após uma longa espera de pré-aquecimento e de curiosas necessidades por combustível, o ladrão conduziu-o até à Suíça antes de abandonar este fumarento, barulhento e estranho modelo.
É igualmente curioso que a história deste VW diferente dos outros nunca tenha sido conhecida. Aparentemente revistas motorizadas na altura e espionagem industrial era algo rudimentar como as facilidades da época. Se algum curioso ouvia algo de diferente normalmente perguntava se um cilindro tinha parado.
Você deve estar pensando quantos projectos como este e ideias não deverão estar jogadas e esquecidas em ficheiros da Porsche há décadas…
Fonte: “VW & Porsche – Março e Abril de 1982”
 _________________ Um abraço do meio do Atlântico. |
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